Antes de subir num palco para falar com mulheres sobre prosperidade, eu já tinha vivido muitas versões de mim. Fui sacoleira, batendo de porta em porta. Fui atriz, aprendendo a ocupar o palco. Fui uma menina tímida, com baixa autoestima, que por muito tempo acreditou que seria difícil ocupar o seu lugar no mundo.
Durante anos, achei que o problema estava do lado de fora. Que faltavam oportunidades, apoio, dinheiro, reconhecimento. Que eu precisava ser mais perfeita, agradar mais, me esforçar mais — mesmo que, para isso, eu me abandonasse no processo. Até que a vida puxou a cortina.
Eu estava devendo o aluguel e não tinha dinheiro para pagar. Naquele momento, ofereci o meu anel de 15 anos para a dona da pensão como forma de pagamento. Ela não aceitou. Ela confiava em mim. Sabia que eu encontraria uma maneira de pagar.
Eu nunca esqueci aquela cena. Porque foi um daqueles momentos em que a vida nos obriga a olhar para nós mesmas e reconhecer: alguma coisa precisa mudar.
E comecei a compreender que não era apenas sobre dinheiro. Era sobre o roteiro que eu vinha repetindo sem perceber.
A minha primeira grande virada não foi financeira. Foi emocional. Foi ter coragem de perdoar o meu pai. Foi reconstruir a minha autoestima. Foi olhar para aquela menina tímida que existia dentro de mim e dizer: o palco também é seu.
Quando assumi a direção da minha própria vida, comecei a mudar minhas escolhas, minha postura e, principalmente, a forma como eu me enxergava. E, quando eu mudei por dentro, a minha realidade também começou a mudar.
Vieram novas oportunidades. Vieram conquistas. O dinheiro passou a ocupar um novo lugar na minha vida.
Mas a maior transformação foi outra: eu deixei de assistir à minha própria história dos bastidores e me tornei protagonista dela.
Se hoje alguma área da sua vida parece travada, talvez não seja falta de capacidade. Talvez exista um roteiro antigo ainda escrevendo as próximas cenas no seu lugar.